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VAMOS BRINCAR DE MÉDICO?

Relato de uma experiência pessoal

VAMOS BRINCAR DE MÉDICO?

Penso que o brincar de médico remete à necessidade humana de cuidar e ser cuidado, pois não existe possibilidade de sobrevivência, se não investirem em nós os cuidados necessários para permanecermos vivos: alimento, calor, abrigo, acolhimento.

Quando alguma coisa vai MUITO mal, aquele que desempenha função materna ou função paterna demonstra sua impossibilidade de resolver e corre para a autoridade maior: o médico.

Os estágios do desenvolvimento cognitivo

Jean Piaget, em sua teoria de aprendizagem, propõe a existência de quatro estágios cognitivos de desenvolvimento da inteligência humana:  sensório-motor (0 a 2 anos), pré-operatório ( 2 a 6), operatório concreto (6 a 11-12) e operatório formal ou abstrato ( a partir de 12 anos).

É no estágio pré-operatório que o jogo simbólico toma corpo, ou seja, o brincar de faz de conta aparece como possibilidade de representação de uma cena ou de um objeto que não está presente. Refere-se ao que é real à criança, a medida em que ela fantasia, cria ações, utiliza-se da linguagem social, prevê e imagina.

Para brincar de médico

Todas as manhãs de terça-feira, dia do meu voluntariado, pego os brinquedos selecionados antecipadamente e vou brincar num determinado Lar de crianças em situação de risco ou abandonadas.

Eu apenas brinco nesse período.

Certa vez levei parte do meu kit de brinquedoteca hospitalar. Alguns objetos são de verdade, mas outros são de mentirinha: medicamentos, ataduras, seringa, termômetro, máscara, pomada, embalagem de soro para o nariz, entre outros itens utilizados nos ambulatórios médicos e em farmácias domésticas.

Eu levo Analú SORINHO, que tem um furinho no braço onde você encaixa o tubo de soro. Essa aí da foto.

Disponibilizo o material e aguardo a reação da garotada

Naquele dia, minha amiguinha de 10 anos  tornou-se a médica, e me incumbiu de ser a mãe, que levava duas outras filhas doentes ao seu consultório.

A boneca em si foi apenas o objeto de partida para a dinâmica acontecer, pois ela ficou a maior parte do tempo com a pequena de 2 anos e 8 meses, que de pronto tirou toda a sua roupa e aplicou muitas injeções.

O menino de cinco anos quis ser o cachorro. Isso nos diz muito…Brinco com a turminha, mas de olho nas demandas individuais.

Enquanto a “médica” graciosamente dava diagnósticos intermináveis, que iam de um simples resfriado à cirurgias abdominais, a doentinha muito quieta, deitada no sofá, aceitava tudo o que a médica falava.

Entregue aos meus carinhos, dizia: “Mamãe, não me sinto bem. Vai ficar  comigo aqui no hospital?” Fechava os olhos quando eu colocava a mão em sua testa, para ver se a febre tinha baixado. Também acariciava sua barriga, que acabara de sofrer a retirada de um umbigo “saltado”.

O jogo simbólico ou jogo do “faz de conta” é fundamental no desenvolvimento infantil, pois proporciona às crianças a possibilidade real de expressarem seus sentimentos, inclusive os mais profundos, como a solidão, seus medos e  angústias.

No discurso do drama do faz de conta no brincar de médico, faz-se necessário  estarmos atentos aos significantes, que vão muito além das palavras ditas.

AH! E tem toda a questão da sexualidade, mas isso é para outro post!

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Psicopedagoga, pedagoga, educadora, mãe de menino e menina.
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