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CONQUISTAS DO BEBÊ DE 0 A 4 MESES

Pelo viés da psicanálise

CONQUISTAS DO BEBÊ DE 0 A 4 MESES

Algumas conquistas do bebê, dos 0 a 4 meses de vida, dizem respeito exclusivamente à maneira com que a mãe se identificará com aquele “serzinho” que acabou de nascer e de como o vínculo entre eles se estabelecerá.

O exercício da maternagem que se desenvolve e perdura nos primeiros anos de vida da criança, deixam marcas vitalícias no psiquismo humano, como constatou Freud em análises com adultos e, posteriormente, por outros pesquisadores da psicanálise com crianças.

MAMÃE NÃO EXISTE

O fato é que nos primeiros momentos de vida do bebê a figura da mãe não existe. Ele tem a fantasia de que ele e ela são um só corpo.

Sabe aqueles movimentos da boquinha procurando o peito para mamar? Pois bem, ele “pensa” que pode dar conta de alimentar-se sozinho e que todo aquele desconforto será resolvido por ninguém menos do que ele mesmo. Como isso não acontece, só lhe resta chorar com todas as forças.

Na psicanálise, essa primeira angústia demonstra que o bebê projeta no mundo tudo o que sente intensamente sem compreender nada do que está acontecendo. O que é bom é ótimo  e o que é ruim é péssimo.

SÃO MUITAS MAMÃES QUE VÃO E VOLTAM

Com o passar do tempo o bebê começa a compreender que tem um “não-eu” que resolve seus problemas de fome, sono, cólicas, enfim, alguém que não é ele, mas que também não é uma pessoa só. Mamãe são muitas, fragmentos que vem e vão.

Das várias mamães que surgem e desaparecem inúmeras vezes ao dia, com o amadurecimento do que é perceptório, o bebê passará a entender que as pessoas que iam e vinham para satisfaze-lo é na verdade uma só.

BINGO! Aquela voz que acalma, aquele calor que dá segurança, o olhar direcionado, aquele seio bom e disponível, se integram em um só ser:  É A MAMÃE!

É PRECISO DOAÇÃO, VÍNCULO E MUITO AMOR PARA FAZER UMA PESSOA TORNAR-SE PESSOA

Partindo do pressuposto de que uma pessoa não se faz pessoa sozinha, tudo vai depender de como e quem está ali para fazer essa mediação nos primeiros anos de vida. Igualmente importante, será o suporte destinado a mãe desse bebê.

Se é por volta dos três/quatro meses que o bebê introjeta o que é bom (mamadas, conforto) e projeta o que é ruim para fora (cólicas, frio, fome), faz-se necessário certa tranquilidade e disponibilidade para compreender o que está acontecendo.

Na verdade, por volta dessa idade, o bebê começa a perceber que a pessoa que ele ama é aquela que ele também odeia, porque depende dela para receber o que precisa. É muita angustia para um serzinho tão miúdo!

Ainda bem que caiu por terra a ideia de “deixa chorar que faz bem”, “vai mamar quando eu quiser”, ” não pego no colo porque é mimo”.

Para a psicanálise é correto afirmar que cada bebê é único, e que dentro de padrões de desenvolvimento o ambiente que o cerca também influenciará diretamente sua demanda e desenvolvimento.

QUEM É ESSE AÍ COM A MAMÃE?

Com o passar do tempo o bebê começa a compreender e lidar melhor com as ausências da mãe. Ela demora mas vem, some mas aparece. Não é na hora que ele quer, mas espera-se que ela esteja lá uma hora.

Finalmente a figura paterna entra no jogo. O pai passa a ser “aquele que está com ela, quando ela não está comigo”, Logo a figura dele irá despertar ciúme e rivalidade, presença não menos importante.

A triangulação bebê, mãe e pai (outro) é fundamental para derrubar a fantasia de que mamãe é só dele.

Quando o bebê adquire a certeza de que ele é ele e que existe o outro na vida dele, ocorre uma cisão muito importante no psiquismo infantil. Surge a ideia de que existem pessoas ao seu redor.

FUNÇÃO MATERNA E FUNÇÃO PATERNA

É fundamental lembrar que a configuração familiar é diversa. Quando falamos em mamãe e papai, queremos dizer sobre aquelas pessoas que desempenham a função materna e função paterna no relacionamento familiar.

Para finalizar esse post, gostaria de voltar à importância da mãe se identificar com aquele bebê que ela idealizou tempos atrás, cada uma no seu tempo. Ele deve ser o objeto de amor idealizado dela, fato primordial.

Estabelecer esse vínculo de maneira plena nos transforma em pessoa humana, psiquicamente típica, normal e saudável.

Vamos investir então nessas pessoinhas miúdas.

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Abraço

Denise Aragão – Psicopedagoga

Imagens PIXABAY.

 

 

 

 

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Psicopedagoga, pedagoga, educadora, mãe de menino e menina.
2 Comentários
  • Adriana
    4 de abril de 2018 at 14:14

    Muito interessante! Adoro como você escreve.

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