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DISCALCULIA PARA PAIS E PROFESSORES

Perguntas e respostas

DISCALCULIA PARA PAIS E PROFESSORES

1- O QUE É DISCALCULIA

Discalculia é um transtorno específico das habilidades matemáticas, que compreende as dificuldades do senso numérico ( Dahaene, 1997) e sistemas cognitivos gerais, como de linguagem, visuoespacial e sistema executivo central, responsável por sustentar a atenção e inibir as informações irrelevantes.

2- QUEM TEM DISCALCULIA TEM OUTRO TRANSTORNO?

A discalculia pode aparecer isolada ou em comorbidade com dislexia e TDAH, Transtorno de Deficit de Atenção com Hiperatividade. Lembrando que o transtorno não tem nada a ver com inteligência. O QI (quoeficiente intelectual) do discalcúlico, assim como do disléxico é normal.

3- DE ONDE VEM A DISCALCULIA?

Do ponto de vista do neurodesenvolvimento, a discalculia revela uma desordem estrutural de origem genética ou congênita, das partes do cérebro responsáveis pela maturação das habilidades matemáticas. O lobo parietal, especialmente o sulco intraparietal dos dois hemisférios exercem papel dominante no processamento numérico. Exames de imagem revelam um baixo recrutamento de neurônios nessa região.

4- DISCALCULIA TEM CURA?

Tratando adequadamente e precocemente é possível potencializar o desenvolvimento das habilidades matemáticas do paciente. O famoso “ vamos correr atrás do prejuízo”. No entanto vai depender muito da vontade, colaboração e incentivo do discalcúlico, da família e da escola em seguir as recomendações após o diagnóstico.

 

5- QUANDO SE DÁ O DESENVOLVIMENTO MATEMÁTICO?

O desenvolvimento do senso numérico e identificação de objetos é notado desde muito cedo. Pesquisas mostram atividades elétricas em bebês de três meses de idade, relacionando mudança de números e identidade de objeto.

6- COMO SEI QUE MEU FILHO ESTÁ DESENVOLVENDO SUAS HABILIDADES MATEMÁTICAS NATURALMENTE?

Ao arrumar suas panelinhas para o chá de bonecas, ao distribuir uma “arminha” para cada boneco lutar ou quando conta até cinco por volta dos três anos, a matemática já está evidente. Quando for à escola as pistas serão ainda maiores. Fique de olho.

7- MAS O TRANSTORNO SÓ ATINGE A CAPACIDADE DE EFETUAR OPERAÇÕES?

Não. A discalculia é investigada também como uma disfunção nos sistemas cognitivos gerais, como o de linguagem ( sete= 7) visuoespacial e sistema executivo central, que sustenta atenção e inibe informações irrelevantes. Sabe quando você consegue separar em num problema aquilo é relevante, daquilo que está ali só para “enfeitar”? Pois é isso que o executivo central possibilita.

8- O QUE A PROFESSORA DEVE AVALIAR QUANDO SUSPEITAR QUE O ALUNO TEM TRANSTORNO NO DESENVOLVIMENTO DAS HABILIDADES MATEMÁTICAS?

Deve analisar suas competências na aritmética ( as quatro operações) , situações-problema com enunciado e também como a criança procede na resolução dessas competências. É necessário comunicar as dificuldades o mais breve possível aos responsáveis, além de orientá-los para que busquem ajuda médica e de equipe multidisciplinar.

 

9- QUANDO SUSPEITAR QUE A CRIANÇA OU JOVEM TEM DISCALCULIA?

Antes de tudo é necessário ter em mente que o aluno pode estar com dificuldades na matemática, o que é bem diferente de transtorno. As pistas abaixo são alguns dos fatores a serem observados.  Se ocorrerem sistematicamente, pode ser discalculia.

  • Dificuldades em processar auditivamente, entender e escrever números, seu valor absoluto e relativo ( ex: 252, 2 vale 200, 5 =50 e o outro 2 vale 2 unidades, portanto 252 = 200+50+2).
  • Perceber tempo ( hora, semana, mês, ano) temperatura, velocidade.
  • Memória de trabalho ruim ( ex: Em uma divisão longa, esquece na metade o que já foi realizado, ou em uma multiplicação com reserva, esquece aquele dois que “subiu”. Lentidão também é uma questão a ser observada).
  • Compreender como os números se relacionam entre si (quem vem antes ou depois de, contagem alternando de dois em dois, 3 em 3, ou ainda, que 5 está contido no 10 duas vezes).
  • Falta de intuição e capacidade de estimar quantidades.
  • Confunde sinais das operações numéricas.

10- QUEM FAZ DIAGNÓSTICO DE DISCALCULIA?

O diagnóstico de discalculia é multidisciplinar, como todos os outros diagnósticos em transtornos de desenvolvimento cognitivo.  Portanto, a equipe consiste em neuropediatra, fonoaudióloga ( para ver DPAC e linguagem), psicopedagoga para diagnóstico e intervenção, além de neuropsicóloga, quando o transtorno foi diagnosticado tardiamente, no intuito de verificar se houve danos de ordem psicossocial.

11- COMO É FEITO O DISGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO?

Geralmente dura de 6 a 8 sessões de 50 minutos cada uma, podendo acontecer uma ou duas vezes por semana, como os responsáveis preferirem.

São realizados provas orais e escritas, específicas para avaliar as habilidades matemáticas que compreendem as competências e habilidades. Ao término do diagnóstico será entregue um relatório discriminando todas as habilidades avaliadas e os resultados obtidos pelo paciente. Se os responsáveis desejarem, a psicopedagoga vai até a escola para falar com a equipe escolar.

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Denise Aragão – Psicopedagoga

 

Apoio: Transtorno específico das habilidades matemáticas e discalculia do desenvolvimento. Monica Andrade Weinstein.

Link: http://www.institutoabcd.org.br/portal/arquivos/1367245409_habilidades_matematicas_e_discalculia__autora_monica_weinstein.pdf

 

 

 

 

 

 

 

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Psicopedagoga, pedagoga, educadora, mãe de menino e menina.
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