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FUNÇÃO TERAPÊUTICA DA LITERATURA

O conto como regozijo ou reparo da angústia

FUNÇÃO TERAPÊUTICA DA LITERATURA

A literatura é uma forma de arte cuja essência são as palavras. Ela está integrada a um determinado contexto histórico onde tempo, cultura e tradições expressam uma determinada época. Pode perfeitamente apresentar um caráter terapêutico, na medida em que nos identificamos com ela.

Como dizia minha avó, “se dermos corda” para essa história há grandes possibilidades de encontrar consigo mesmo ou com algum personagem da sua história de vida, nas esquinas do enredo escolhido muitas vezes inconscientemente.

Ler uma história nos remete a encontros internos que muitas vezes nem imaginávamos ser possível.

O conflito entre protagonista e  antagonista, o ambiente , as paisagens , as características textuais que circulam entre palavras e expressões, são de alguma forma aquilo que precisamos, o que nos nutre psicologicamente.

É algo que acontece e que vai  nos preenchendo aos poucos ou instantaneamente.

Dessa forma, independente da idade do leitor, as histórias que cativam tem muito a ver com uma a identificação que de alguma forma acontece entre o leitor e o texto.

Quantas vezes começamos um livro e o deixamos de lado porque ele não nos envolve? Passado um tempo ou até mesmo alguns anos, retornamos àquela obra e ela nos cai como uma luva naquele momento…É porque ela finalmente nos preenche como um abraço.

Comigo foi assim com  Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marquéz, um daqueles livros que você precisa de um rascunho para fazer a árvore genealógica das personagens, de tanta gente que vai entrando no meio do enredo.

Tentei três vezes. Só consegui depois dos 30 anos!

O primeiro encontro com a literatura

Geralmente são os pais que estabelecem esse encontro inicial com a literatura. Infelizmente ainda são muitas as crianças que só entram em contato com a literatura formal quando adentram a escola. Pensando nisso, a instituição escolar no Brasil é a grande mantenedora responsável por espalhar literatura aos nossos jovens.

Para que haja esse conexão entre obra e leitor, ao  longo da vida  é fundamental que a oferta literária seja vasta e variada,  de modo que o pequeno leitor tenha desde muito cedo a oportunidade de se identificar com aquilo que lê, fazendo escolhas pessoais que contemplem suas necessidades psíquicas.

Como sabemos, contos de fadas e fábulas dizem respeito às questões comportamentais do ser humano e a moralidade social, prato cheio para questionar o presente, o passado e o futuro através desses contextos.

São muitos os gêneros textuais apresentados ao longo da infância: aventuras, romances, dramas, suspenses… E não demora muito para que a criança se identifique com um deles, querendo viver e reviver naquele contexto de fantasia e aventura inúmeras vezes, da mesma forma. E ai de você se resolver mudar uma palavra! Será corrigido imediatamente com dedo em riste.

Cada portador de texto é um convite, mas ler para uma criança vai além de transportá-la ao mundo da fantasia e diversão.

A repetição da mesma história, de um mesmo trecho, daquela mesma personagem, dá sensação de segurança à criança, principalmente porque ela já sabe o que vem por aí. Quer mais segurança do que saber o que está por vir? Por isso, paciência com os pequenos.

O conto na cura da angústia

No texto “Formulações sobre os dois princípios do funcionamento psíquico”, Freud disserta, entre outras questões, sobre o quanto a realidade pode ser pesada demais para o aparelho psíquico. Dessa forma, deixa claro que o conto pode trazer regozijo por uma lembrança ou a reparação de uma angústia.

A literatura estabelece a entrada no campo simbólico da infância, fundamental na construção da identidade humana, além de ser instrumento valioso na resignificação de relações do cotidiano infantil.

Em clínica psicopedagógica a literatura é utilizada como intervenção para despertar o prazer de ler, adquirir fluência, escrever, criar e recriar no sentido mais amplo da palavra.  Sendo assim, a variação de textos literários dispostos “como quem não quer nada” é muito importante, assim como a apresentação de variados portadores textuais ( cartas, poemas, receitas, bilhetes, entre outros), pois são mecanismos eficientes nas elaborações internas do paciente.

 

Livro de apoio: O leitor e o texto – A função terapêutica da Literatura. Ed Appris. Organizadores, professores que admiro: Leda Barone, Beethoven Hortêncio e Sonia Saj.

Fotos Pixabay

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Psicopedagoga, pedagoga, educadora, mãe de menino e menina.
3 Comentários
  • Françoeide Pires
    19 de julho de 2017 at 20:43

    Quando eu era adolescente vivia lendo “Julia, Sabrina” entre outros…eu conseguia fugir da minha realidade com aquelas leituras… rssssssss…a leitura realmente nos transporta para outro “mundo”…

  • Pingback: O DIÁRIO DE ANNE FRANK - ESCRITA TERAPÊUTICA - Denise Aragão
    18 de agosto de 2017 at 10:20

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