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JOGO INFANTIL E JOGO EDUCATIVO

Vygotsky e os processos históricos sociais

JOGO INFANTIL E JOGO EDUCATIVO

O jogo infantil e o jogo educativo fazem parte da vida das crianças por muitos e muitos anos.

Para Vygotsky (1988, 1987, 1982), o jogo infantil é concebido como resultado de processos históricos-sociais,  responsáveis pelas formas de pensar e os modos de viver do ser humano. Tem por objetivo o brincar pelo brincar.

Dessa forma, os processos psicológicos são construídos a partir das obrigações impostas nas regras do contexto sociocultural ao qual pertencemos.

Imagem PIXABAY

Já o jogo educativo, de sala de aula por exemplo, geralmente prioriza o produto, a capacidade de desenvolver habilidades e noções para alcançar algum objetivo. Ele é um algo planejado.

Não podemos esquecer, que Vygotsky afirmou que toda conduta humana é construída como resultado de processos sociais, evidenciando a importância de viver em sociedade.

JOGO EDUCATIVO NO CASTELO GRAVENSTEEN

Para ilustrar esse conceito Vygostskyano, me lembrei de algumas imagens que registrei do castelo de Gravensteen, em Gent, na Bélgica, em julho de 2017.

Imagem arquivo pessoal – Denise Aragão

As escolas belgas têm três semanas de férias de verão, por isso não consegui visitar nenhuma. Mas para quem acompanha esse blog, isso não é novidade, porque postei de Gent, o texto A Educação Básica na Bélgica.

Esse post me rendeu um papo animado com uma mãe brasileira que ia se mudar com a família para Valônia, e precisava de orientações para um filho com transtorno de escrita e leitura.

Se interessar, vá lá dar uma olhada.

SALA DE ARTEFATOS MEDIEVAIS

Ao adentrar na sala de armas do castelo de Gravensteen, qual não foi a surpresa? Uma turminha do curso de férias da Educação Infantil, vivenciando, literalmente, a história de seus antepassados.

O que me chamou a atenção, foi o grande entusiasmo da garotada no jogo batizado por mim, mera expectadora,  de “Faz de conta que eu sou…”, que consistia em dramatizar os personagens medievais em situações expostas nas salas de visitação.

VESTIMENTAS COMPLEMENTAM O JOGO EDUCATIVO DOS CAVALEIROS, REIS E RAINHAS

Foi possível observar o trabalho caprichado na preparação da atividade, possivelmente da professora ou dos pais, que são muito engajados nas escolas por toda a Europa.

As crianças estavam caracterizadas de personagens medievais, com brasões e símbolos estampados em roupas de TNT.

Imagem arquivo pessoal – Denise Aragão – HORA DE VESTIR A ARMADURA PARA LUTAR.

É bem possível que essas crianças já conheciam o castelo, mas cá para nós, nada é mais bacana do que ir com os amigos da escola, e poder incorporar coletivamente os personagens que compõem o jogo imaginário de cenas construídas historicamente pelos seus ancestrais.

O que Vygotsky deixou para nós é a certeza de que as situações imaginárias são construídas através de brincadeiras, na representação de papéis sociais.

A partir dos três anos de idade as crianças já representam socialmente as condutas que receberam e vivenciaram ao longo dos anos anteriores em vida social.

JOGO INFANTIL OU JOGO EDUCATIVO?

Durante todo percurso as crianças mostraram-se entusiasmadas no jogo de faz de conta, notadamente contidas e organizadas, uma marca cultural dos belgas. Bem diferente da nossa!

A cada parada frente aos mostruários de vidro, uma dramatização própria e coletiva ganhava vida, embaladas por gestos e sons, pertinentes àquele objeto e cena descrita.

Imagem arquivo pessoal – Denise Aragão. HORA DA LUTA. Pena que não posso mostrar os rostinhos.

À frente da vitrine de armaduras e armas, professora e alunos encenavam a ação de vestir a calça e a camisa de aço, apertando os parafusos, colocando o elmo imaginário e, por fim, adquirindo uma espada para lutar ao som de várias vozes: “tchuke! tchuke! tchuke!” e “pá,pá,pá!”

Imagem arquivo pessoal – Denise Aragão. HORA DE VER A CIDADE.

No pátio externo, as crianças caminharam pelas muralhas de Gravensteen,  localizaram casas,  comércio e outros monumentos, além de contemplarem juntos a beleza histórica da cidade de Gent.

O QUE FICOU DESSE JOGO TODO?

jogo educativo (objetivo da professora) demonstrou nitidamente situações imaginárias nas representações carregadas de conteúdo histórico-social.

Da mesma forma que atividades escolares são planejadas, é fundamental criar momentos de jogo infantil, onde se experencia  e fundamenta as normas histórico-sociais da sua própria cultura.

Brincar livre ou dirigido satisfaz corpo e mente, fato evidenciado nos sorrisos e  movimentos corporais em jovens de todas as idades.

Dito isso, só nos resta criar oportunidades para as brincadeiras acontecerem, você não acha?

Se você gostou do post clica no coraçãozinho lá em cima e indica para alguém que também se interessa pelo assunto.

Abraço.

Denise Aragão Psicopedagoga

Apoio: Jogo, brinquedo, brincadeira e educação. 6ª ed. TIZUKO MORCHIDA KISHIMOTO ( organizadora), 2002, CORTEZ.

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Psicopedagoga, pedagoga, educadora, mãe de menino e menina.
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