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MEDO INFANTIL EM CONTEÚDOS ESCOLARES

Relato de caso

MEDO INFANTIL EM CONTEÚDOS ESCOLARES

O post de hoje complementa o anterior, “Vamos falar de medo infantil”. Escrevi ainda bastante influenciada por um acontecimento ocorrido no final de abril desse ano de 2018.

De Salvador, Bahia, A.S, mãe de Z., 8 anos, me enviou duas fotos de uma atividade escolar, que o colégio bilíngue do seu filho estava trabalhando na área de Língua Portuguesa.

A mãe, professora da UFBA, pediu-me que as analisasse do ponto de vista de adequação para a idade. Queria, na verdade, uma fundamentação teórica para não chegar na reunião de pais com “achismos” sobre o assunto que estava dando o que falar pelo WhatsApp das mães.  Como ela mesma disse, reconhecia que estava tudo bem falar sobre isso naquela idade, mas não custava nada consultar uma especialista em aprendizagem.

O CONTEÚDO ESCOLAR

Os exercícios de gramática, onde os artigos definidos e indefinidos deveriam ser aplicados em um texto lacunado, apresentavam a temática Lendas Urbanas, com a participação especial da Loira do Banheiro e dos mitos do folclore brasileiro.

No grupo do WhatsApp da turma, algumas mães começaram a relatar angustiadas e apreensivas, que seus filhos estavam chorando de medo na hora de dormir, desde quando o assunto havia começado a ser abordado em classe.

Imagem GOOGLE

COMPREENDER PARA ACALMAR OS ÂNIMOS

Depois de conversarmos pelo telefone, A.S. achou melhor que eu mesma gravasse um áudio para acalmar os ânimos maternos, assim ela disponibilizaria no grupo de mães do WhatsApp.

E assim fizemos. O áudio correu para outras turmas do colégio e todos ficaram satisfeitos. E eu, mais ainda!

FOI MAIS OU MENOS ISSO O QUE EU GRAVEI NO ÁUDIO

Primeiramente, crianças sentem medo e é saudável porque o medo não os deixam fazer algumas loucuras típicas das etapas do desenvolvimento. Ainda bem!

Eles crescem, os medos vão se modificando e com nossa ajuda eles vão se sentindo mais seguros, superam e se ajustam na realidade da vida. Uns mais rapidamente, outros demoram um pouco mais. É doloroso mas é preciso deixar crescer.

Tudo vai depender de como os pais e professores interveem em cada situação, mas a personalidade da criança também conta muito. Lembremos que são singulares, moldados pelo ambiente e por seus responsáveis. Isso já diz muito do que vem pela frente.

Sentir medo faz parte do crescimento. Passam dos medos fantasiosos e anímicos, para o medo dos pais morrerem, de nunca mais ver o amigo querido que se mudou para outra cidade, do mundo acabar com uma bomba, de ser  esquecido pelo motorista do transporte escolar, até chegar no medo que nós adultos sentimos: da violência das grandes cidades.

É muito saudável contar a eles que os pais também sentem medo.

PROBLEMATIZANDO O ASSUNTO

Como psicopedagoga e estudante de psicanálise com crianças e adolescentes, só me resta problematizar o assunto. E aí vai:

Será que nós, pais, temos que participar de tudo o tempo todo, porque não confiamos na escola que escolhemos para nossos filhos?

É necessário fomentar assuntos de classe em redes sociais e formar tantos grupos de WhatsApp? Quais as consequências disso tudo para a escola, para a criança e suas famílias?

Por que até mesmo quem não quer participar desses grupos é julgado pela sua ausência? Não temos mais escolha?

É correto, em detrimento da felicidade permanente dos nossos filhos, julgarmos inadequado difundir as histórias fantásticas do nosso povo porque elas despertam medo e pseudo ateísmo?

Não farão mais parte do nosso legado essas histórias que herdamos em rodas de conversa na nossa infância? E cá para nós, quase nem conversamos mais em roda, não é mesmo…

Bem, fica aí minha inspiração de conversa para o final de semana.

Abraços

Denise Aragão – Psicopedagoga

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Psicopedagoga, pedagoga, educadora, mãe de menino e menina.
1Comentário
  • Adriana Saraiva Aragão dos Santos
    11 de maio de 2018 at 08:41

    Perfeito! O medo faz parte do ser humano e é muito importante que este tema seja trabalhado em ambientes, como na escola e em casa , onde a criança se sinte segura.

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