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O DIÁRIO DE ANNE FRANK – ESCRITA TERAPÊUTICA

A escrita que protege o aparelho psíquico

O DIÁRIO DE ANNE FRANK – ESCRITA TERAPÊUTICA

Anne Frank escreveu seu diário entre 12 de junho de 1942 e 1° de agosto de 1944, durante a ocupação nazista dos Países Baixos.

Além de sua família, mais outras quatro pessoas judias esconderam-se no Anexo Secreto do prédio onde seu pai trabalhava, na rua Princengracht, 263-267, em Amsterdam.

Anne Frank e sua família mudaram-se para o anexo no dia 8 de julho de 1942, pouco mais de um mês depois que ela iniciou seu diário. Coincidentemente, minha família e eu, visitamos o Anexo na mesma data, 75 anos depois.

A princípio a menina de 13 anos escrevia e guardava o diário para si, mas em algum dia do primeiro semestre de 1944, a jovem resolveu reorganiza-lo para uma possível publicação pós-guerra.

Gerrit Bolkestein, membro exilado do governo holandês fez uma transmissão radiofônica, declarando que os cidadãos holandeses guardassem todos os testemunhos do período da ocupação alemã na Holanda, inclusive cartas e diários. Queria colocar tudo a disposição do público assim que a guerra acabasse.

A publicação

Anne Frank passou a ler, reler e fazer novas anotações em fatos anteriormente registrados, prevendo uma futura publicação, mas em 4 de agosto de 1944, as oito pessoas foram descobertas e presas.

As folhas do diário estavam espalhadas pelo chão do Anexo Secreto.

As secretárias da empresa guardaram tudo em uma gaveta e só leram depois que tiveram a certeza da morte de Anne, em um campo de concentração.

A última anotação de Anne Frank foi em 1° de agosto de 1944, três dias antes de serem descobertos.

Otto Frank, pai de Anne e único sobrevivente do Anexo, entregou o manuscrito do diário ao Instituto Estatal Holandês para a Documentação de Guerra, em Amsterdam, que depois de exaustiva investigação de autenticidade foi publicado em três versões.

Escrita terapêutica

Do ponto vista terapêutico, pensemos nos benefícios da produção escrita: “Querida Kitty.” Assim era chamado o diário, como se fosse uma amiga, sua companheira na solidão, ouvinte de seus questionamentos internos, parceira de esconderijo.

Lembremos que a escrita de um diário é secreta. Não escrevemos para o outro, mas sim para nós mesmos, interiorizando e externando nossos mais profundos desejos e sentimentos através de palavras, da linguagem escrita.

                                             Maquete do anexo exposta no Museu Anne Frank House

Seguem alguns trechos do livro na intenção de uma breve reflexão do conteúdo registrado.

“ Espero poder contar tudo a você, como nunca pude contar a ninguém, e espero que você seja uma grande fonte de conforto e ajuda.”(pág 11)

“O papel tem mais paciência do que as pessoas(…) não tenho amigos.” (pág 16)

(…)Quando estou com amigas só penso em me divertir. Não consigo me obrigar a falar nada que não sejam bobagens do cotidiano. Talvez seja minha culpa o fato de não confiarmos umas nas outras. Foi por isso que comecei o diário. (pág.17)

(…) quero que o diário seja minha amiga, por isso o chamarei de Kitty.” ( pág 17)

 

Ela só queria ser uma adolescente

Dividir o lar com estranhos, administrar conflitos existenciais típicos da adolescência, sua falta de privacidade, a dificuldade em relacionar-se com a mãe,  assim como a disputa pela atenção do pai amado, foram situações nevrálgicas num espaço e tempo de tensões constantes.

Assim como a leitura é terapêutica à medida que identifica sujeito e objeto acalmando a alma, a escrita do diário tornou-se benéfica ajudando Anne Frank a suportar o longo período de confinamento no Anexo Secreto.

Como intervenção psicopedagógica, o convite à escrita de um diário promove a organização temporal de acontecimentos na busca de uma produção textual mais elaborada, com começo, meio e fim.

Nesse contexto de trabalho cognitivo, o registro da rotina diária do estudante é fundamental para que juntos busquemos a organização dos horários para  estudo,  lazer e a prática de esportes.

Além disso, sugiro que o paciente também adquira um diário para registrar suas emoções e desejos mais íntimos, como forma de elaboração e resignificação de fatos que o perturbam e também os acontecimentos que o alegram, como uma reserva de memórias afetivas.

 

Apoio: O Diário de Anne Frank, Otto H. Frank e Mirjam Pressler, Ed. RECORD , 67º edição, 2017.

 

 

 

 

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Psicopedagoga, pedagoga, educadora, mãe de menino e menina.
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