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10 PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE TEA

Transtorno do Espectro Austista

10 PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE TEA

O TEA-Transtorno do Espectro Autista, vem sendo estudado intensamente nas últimas décadas, refinando cada vez mais os exames diagnósticos. A classificação do DSM-V , de 2013, coloca os Transtornos Globais de Desenvolvimento, que incluíam o Autismo, Transtornos Desintegrativo e as Síndromes de Asperger e Rett, como  absorvidos por um único diagnóstico, o Transtornos do Espectro Autista. 

1-O que é e quem dá o diagnóstico de TEA?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do desenvolvimento neurológico, caracterizado por uma alteração da comunicação social e pela presença de comportamentos repetitivos e estereotipados. Por ser um quadro do Neurodesenvolvimento, somente um médico neurologista, psiquiatra infantil, pediatra ou neuropediatra poderão fazer o diagnóstico.

Imagem Google

2-Quando é possível fazer o diagnóstico?

Aos 18 meses já é possível fazer uma avaliação e iniciar as intervenções, caso haja traços do transtorno. Aos 3 anos espera-se fechar o diagnóstico definitivo, mas é fácil diagnosticar autismo!

No Brasil, geralmente o diagnóstico é tardio, por volta de 4 anos e 2 meses a 6 anos e 8 meses. Em média os pais passam por quatro profissionais até chegar ao diagnóstico definitivo, pois muitos pediatras ainda não estão aptos para reconhecer o transtorno.

3-De onde vem o TEA?

O Transtorno do Espectro Autista tem base genética e ambiental. Existe uma herdabilidade parental de 60% a 90% dos casos. Nos fatores ambientais para TEA temos a idade avançada dos pais, 35 para mulheres e 40 homens, alguns medicamentos específicos ingeridos durante a gestação, contaminação por vírus, como rubéola e influenza, além de hipóxia e anóxia neonatal.

4-Quais são os prejuízos no autismo?

O atraso de linguagem é uma pista valiosa (demoram muito a falar) a comunicação social ( não adquirem ou  perdem nos primeiros meses aquilo que conquistaram) e o comportamento repetitivo e estereotipado.

 

 5-O que devemos observar nos bebês?

  • Se o bebê passou do sorriso reflexo para o sorriso social, aos 1-2 meses, quando “ ele quer rir para você”.
  • Se ele foca o olhar nos olhos da mãe quando mama.
  • Se apresenta anormalidade no olhar, olhar de linha média ( queixo, peito do outro).
  • Se compartilha atenção (olhar no objeto, na pessoa, volta ao objeto e interage).
  • Falta de reconhecimento do outro ou de expressão facial dos “mimimis” ( cadê o bebezinho da mamãe?).
  • Se ele atende quando é chamado pelo nome.
  • Se aponta quando perguntamos (cadê a bola? cadê a barriga do bebê?).
  • Se fica por muito tempo no berço ou no bebê conforto quietinho sem reclamar.
  • Se dorme bem a noite.
  • Se chora por muito tempo sem motivo aparente.
Diego, 1 mês, com o papai Maykel , representando a criança típica, com foco visual e já esboçando sorriso social.
Foto cedida por Fabiana Saraiva, a mamãe do Diego.

6-Quais são os profissionais que atendem pessoas com TEA?

Um paciente com TEA deve ter atendimento multiprofissional: neurologista, psiquiatra infantil, neuropsicólogo ou psicólogo com formação em análise do comportamento, fonoaudióloga, psicopedagoga para acompanhar o trabalho escolar, nutricionista, terapeuta ocupacional.

7-O que é TEORIA DA MENTE e qual a relação com TEA?

Por não apresentarem a TEORIA DA MENTE, que é a capacidade de atribuir estados mentais a outras pessoas e predizer o comportamento das mesmas em função destas atribuições ( Premack & Woodruff, 1978), fica difícil para a pessoa com TEA prever o que os outros pensam  e o que vão pensar que você está pensando. Daí o problema na cognição social. Teoria da Mente é a capacidade de representação de objetos e eventos.

8-Quais são os prejuízos no comportamento social em  TEA?

Levando em consideração a dificuldade ou  incapacidade na  Teoria da Mente, quem tem TEA não reconhece gestos e expressões faciais, como surpresa, descaso, negação, entre outros. Quando são treinados a reconhecer, não são capazes de usá-las adequadamente.

A grande maioria é literal, portanto não use expressões de figura de linguagem, como “ele está com a corda no pescoço” ou “atolei o pé na jaca” de tanto comer, porque é exatamente isso que ele vai entender. Outra coisa: vá direto ao assunto, sem ladainha. Também não floreie!

Preferem estar sozinhos a estarem com outras pessoas, pois apresentam uma sensibilidade muito grande nas questões sensoriais e perceptórias. Sua mente compreende e trabalha de forma diferente das pessoas típicas. Preferem estar em seu mundo particular, isolando-se de barulhos, movimentação de pessoas, carros e conversação.

Pessoas com TEA apresentam muita dificuldade em iniciar e manter uma conversa.

Imagem PIXABAY

9- Como são os comportamentos repetitivos e estereotipados em TEA?

É preciso saber que esteriotipias até dois anos de idade é natural. Faz-se necessário analisar o conjunto de traços para diagnosticar risco de autismo. É  necessário conter as estereotipias e comportamentos repetitivos, para que não fiquem imersos em seu mundo particular por muito tempo.

  • Flapping, balançar as mãos perto dos olhos.
  • Girar em torno de si, andar nas pontas dos pés.
  • Alinhar objetos, empilhar, atentar-se em partes ao invés do todo, como as rodinhas.
  • Repetir discursos ou movimentos motores.
  • Insistência na monotonia ( fazer e falar sempre a mesma coisa).
  • Ecolalia e entonação da fala cadenciada (prosódia).
  • Inflexibilidade, rotinas ou padrões ritualizados de comportamento ( mesmo copo, cadeira, mesmo horário, mesmo produto, mesmo caminho).
  • Interesse intenso e fixo em assuntos ( planetas, dinossauros, animais).
  • Hiper ou hipo reativos a estímulos  sensoriais.
  • Fascínio visual por luzes ou movimentos.
  • Exploração inadequada de objetos ( chuta, joga, não atribui função a ele, exemplo o pente para pentear, o telefone para ligar).
  • Resposta adversa a texturas específicas ( alimentos pastosos, areia, feijão cozido) e sons.

10- Quais as abordagens mais utilizadas no tratamento de pessoas com TEA?

Existem modalidades diferentes no TEA ( 1, 2 e 3), desde os verbais aos não-verbais, aos comórbidos com outras deficiências. O tratamento deve ser precoce, individualizado e intensivo, visando a autonomia do sujeito em cada etapa da vida até a inserção no mercado de trabalho, quando possível.

O tripé de tratamento engloba paciente, família e escola, com orientação voltada para reconhecer e trabalhar as potencialidades do sujeito, reconhecendo o que é sintoma e o que não for, corrigir.

O método ABA, Análise do Comportamento Aplicada, visa mudança de comportamento com uso de reforço sempre positivo.

A metodologia TEACCH, Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Limitações, engloba conceitos de terapia comportamental com apoio visual e foca questões pedagógicas. É um treinamento em ABA. Apresenta rotinas em fotos passo a passo, em quadros e cartazes, antecipando o que vai acontecer e como fazer.

PECs, sistema de comunicação alternativa com figuras, ideal para a compreensão de uma comunicação funcional. Algumas pessoas precisam de fotos reais, outras conseguem compreender desenhos.

Imagem: http://autismoprojetointegrar.com.br/todos-os-desenhos/

 

DENVER para estimulação de bebês. Parte do interesse deles como motivação. Pegou o pezinho, bateu palmas, estimula-se a linguagem e interação pelo movimento repetitivo.

Terapia Ocupacional de AVDS – Treino de Atividades da Vida Diária, o que os pais mais desejam.

Bem, é isso. Gostou do texto? Ele acrescentou mais alguma informação para você?

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Abraço,

Denise Aragão – Psicopedagoga

Apoio: Aula da Psiquiatra Infantil Dra Graccielle Rodrigues Cunha, Curso de Transtorno do Espectro do Autismo na APAE-SP, dia 5 de maio de 2018.

Artigo: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-55452014000100007

Links para você visitar:

http://www.autismoeterapiaaba.com/?_escaped_fragment_=O-que-%C3%A9-o-TEACCH-que-vem-sendo-utilizado-em-algumas-APAEs%2Fcmbz%2F56236bca0cf2c3576e6432fb

https://youtu.be/9Wj46NgKWOo Teoria da Mente – Teste com as bonecas Sally e Ann.

Assista no NETFLIX a série ATYPICAL. A história de um adolescente autista e sua família.

Escreva no YOUTUBE, TEAMM UNIFESP e veja os vídeos realizados em laboratório com a equipe da GRADUAL.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Psicopedagoga, pedagoga, educadora, mãe de menino e menina.
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