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30 anos de experiência em Vida Escolar | Membro da Associação Brasileira de Psicopedagogia - ABPp

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Socorro! O Ovo Não Quebra!

Uma história de insegurança infantil

Socorro! O Ovo Não Quebra!

Sabe uma garotinha frágil, de semblante tenso e a pele branca como a neve?  Assim é Isabel, 9 anos, um doce de menina, inteligentíssima! Papo agradável, ótima desenhista, mas cheia de receios. Tive o prazer de desfrutar dois anos de sua companhia.

Nunca bebia água na escola, pois não ia ao banheiro sozinha. Não almoçava lá, porque não tinha fome. Também não levava lanche porque almoçar em casa já era o suficiente para seis horas de vida. Comer pra quê?

Só tinha uma amiga, porque achava que não tinha nada de bom para compartilhar.

Com relação às notas, sempre 9.0, 9.5, 10.0! Se tirasse um 8.0, chorava angustiantemente por muito tempo. Muito triste de se ver.

Isabel chorava a cada dúvida na matemática, na compreensão de texto, na aula de História. Apesar de notas ótimas, não aceitava ter dúvidas. Tinha que buscar a perfeição sempre, caderno impecável. No fundo não aceitava ter sido rejeitada pela pessoa mais importante para ela. Mas isso é uma história que não cabe aqui.

O fato é que propus fazermos um bolo de caneca. O pânico se instalou de imediato quando Isabel viu os ovos na caixa em cima da mesa. Quando pegou um ovo, vi seu corpo tremer como uma borboletinha que acabou de sair do casulo, aguardando os fluidos se espalharem pelas asas, para dar seu primeiro voo.

Tentou uma, duas, dez vezes, mas não conseguiu quebrar o ovo na caneca porque não usava a força. E se o ovo cair na toalha? E se a gema cair dentro e a clara fora? Pior, e se a casca cair junto com o ovo? Pânico mesmo! Até que a crise de choro veio forte e a atividade foi adiada.

Isabel não é um caso de atendimento Clinico Psicopedagógico, mas sim Psicoterápico. Ela precisa se fortalecer emocionalmente, resolver rupturas familiares ocorridas na sua mais tenra infância.

Pedagogicamente é brilhante. Apresenta dificuldades alimentares graves que só um acompanhamento psicológico bem traçado poderá livra-la da anorexia nervosa.

Depois de muita conversa, dedicação e acompanhamento psicoterapêutico, Isabel se tornou mais confiante, descobriu e compartilhou seus talentos. Mas o tratamento é longo e penoso.

Meu maior presente? No ano seguinte, ainda com as mãos trêmulas, ela respirou fundo e quebrou o ovo do brigadeirão de Páscoa, atividade em grupo que planejei especialmente pensando nela.

– Lembra do ano passado, prô? Estou muito melhor esse ano!

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Psicopedagoga, pedagoga, educadora, mãe de menino e menina.
3 Comentários
  • Felipe Viana
    22 de junho de 2017 at 14:54

    Gostei do assunto, muito bom!

    • carranca
      22 de junho de 2017 at 14:56

      Fico feliz do seu feedback!!

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